Archive for Março, 2010

TANGO

Segunda-feira, Março 15th, 2010

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TANGO

Flavia Valente

“” O tango é passional, alguns dizem
O tango é mental, dizem outros.
Mas afinal, o que é este tango tal tango?
Seria uma música, uma cadência, um lamento?
Um sopro, uma luz, uma sombra?
Seria um movimento, um entrelaçar de pernas?
Um respirar diferente, uma projeção para frente?
Ou talvez o fogo da paixão, ou a luz da razão?
Quem és tu, bendito alento?
Quem é o tango? Que tipo de pensamento?
Com que laços nos amarra?
Com que asas nos liberta?
Com que olhos nos seduz?
Com que passos nos conduz?
Com que força nos arrebata?
És suave como a seda
E cruel como a chibata
És estilo de viver, afinal, és o quê?
És um jeito, um fato, uma história
Um tempo, uma lembrança…
Um boleio, uma sacada ou um simples passo
Tantos foram os salões…
Com tantas pessoas compartilhei seu abraço
Tantos perfumes, tantos vinhos, tanta esperança…
Que no final, descobri quem és
Que como disse o poeta
O tango é um sentimento que se dança! “”

DIA DA MULHER

Terça-feira, Março 9th, 2010

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SISTERS

 

Martha Medeiros

Sempre que chega o Dia Internacional da Mulher, procuro fugir do discurso de vitimização que a data invoca. Não que estejamos com a vida ganha, mas creio que as mulheres já mostraram a que vieram e as dificuldades pelas quais passamos não são privilégio nosso: injustiça e violência são para todos. Temos, ainda, o grande desafio de conciliar as atividades domésticas com a realização profissional, e precisamos, naturalmente, da parceria do Estado e da parceria dos parceiros: ser feliz é um trabalho de equipe. Mas não vou utilizar o 8 de Março para colocar mais água no chororô habitual. Prefiro aproveitar a data, este ano, para fazer um brinde à nossa importância não para a sociedade e nem para a família, mas umas para as outras.

Assistindo em DVD ao delicado filme Caramelo, produção franco-libanesa do ano passado, tive a sensação boa de confirmar que o tempo passa, os filhos crescem, os corações se partem, mas as amigas ficam. Como todos os filmes que abordam a amizade e a solidão intrínseca de toda mulher, Caramelo nos consola valorizando o que temos de melhor: a nossa paixão, a nossa bravura (“sou mais macho que muito homem”) e o bom humor permanente, mesmo diante de tristezas profundas.

No filme, elas são cinco: a amante de um homem casado, a que tem pavor de envelhecer e por conta disso se submete a situações humilhantes, a garota muçulmana com casamento marcado que precisa esconder do noivo que não é mais virgem, a enrustida que se sente atraída por outras mulheres, e a senhora que desistiu de investir no amor para cuidar da irmã mais velha, que é mentalmente perturbada. Todas diferentes entre si e todas iguais a nós: mulheres conflituadas, mas que podem contar umas com as outras em qualquer circunstância.

Recentemente recebi por e-mail um texto anônimo, em inglês, que falava justamente sobre isso: precisamos de mulheres a nossa volta. Amigas, filhas, avós, netas, irmãs, cunhadas, tias, primas. Somos mais chatas do que os homens, porém, entre uma chatice e outra, somos extremamente solidárias e companheiras de farras e roubadas. Esquecemos com facilidade as alfinetadas da vida e temos sempre uma boa dica para passar adiante, seja a de um filme imperdível, de uma loja barateira ou de uma receita para esquecer da dieta. Competitivas? Talvez, mas isso não corrompe em nada a nossa predisposição para o afeto, a nossa compreensão dos medos que são comuns a todas, a longevidade dos nossos pactos, o nosso abraço na hora da dor, a nossa delicadeza em momentos difíceis, a nossa humildade para reconhecer quando erramos e a nossa natureza de leoas, capazes de defender não só nossos filhotes, mas os filhotes de todo o bando.

Aprendemos a compartilhar nossas virtudes e pecados e temos uma capacidade infinita para o perdão. Somos meigas e enérgicas ao mesmo tempo, o que perturba e fascina os que nos rodeiam. Brigamos muito, é verdade: temos unhas compridas não por acaso. Em compensação, nascemos com o dom de detectar o sagrado das pequenas coisas, e é por isso que uma amizade iniciada na escola pode completar bodas de ouro e uma empatia inesperada pode estimular confidências nunca feitas. Amamos os homens, mas casadas, mesmo, somos umas com as outras.
- Jornal Zero Hora de 07 de março de 2010

CERVEJA CASEIRA

Sexta-feira, Março 5th, 2010



Tecnologia paraense permite fazer cerveja em casa até com frutas

 

Universidade garante que é possível fazer cerveja até com frutas regionais

 

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Você prepara a festa e manda comprar a cerveja… Não! Você a faz!!!

Aquele verão quente e você resolve tomar uma cervejinha bem gelada. Que tal fazer a sua própria cerveja, do jeito que você sempre quis? Pois é isso que pesquisadores do curso de Tecnologia Agroindustrial, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), estão prometendo. Eles desenvolveram um curso de extensão que ensina a arte de produzir cerveja em casa, com baixo custo e fácil produção. Tudo com uma diferença: ela pode ter o sabor de frutas regionais, como cupuaçu, bacuri, acerola e manga.

“Para se ter uma boa cerveja basta cevada, lúpulo, levedura e uma boa água. A fabricação é muito simples; já realizamos com sucesso a produção de cervejas de frutos da região, e também de maçã, morango e abacaxi. Em princípio, pode ser feito cerveja de qualquer fruta”, diz Marcos Eger, pesquisador responsável pelos cursos.

As cervejas produzidas possuem um teor alcoólico de 1,3 a 5%. Até agora, a produção realizada nos laboratórios de tecnologia se limita a 20 litros, ou seja, 33 garrafas de 600 ml.

Para Eger, a fabricação caseira pode ser uma alternativa de renda para pequenos produtores do Estado com a criação de microcervejarias de frutas regionais. “Na Alemanha, por exemplo, não existem grandes cervejarias, o que existe são pequenas unidades que atendem pequenas regiões. Se fabricada no interior do Estado, por exemplo, teríamos um produto próprio, de baixo teor alcoólico, rico em proteínas e que pode gerar um bom lucro, já que o custo é pequeno e pode ser vendido por um valor mais baixo do que o cobrado por outras cervejas”, diz o pesquisador.

A próxima ação é aproximar as comunidades do interior junto aos núcleos da Uepa neste projeto. Já foram realizados cursos em Belém, Paragominas, Marabá e recentemente em Cametá, onde os pesquisadores convidaram os empresários locais para experimentar a cerveja de acerola.

A princípio, os cursos de cervejaria são para os alunos de tecnologia agroindustrial, mas podem ser solicitados por outras instituições na coordenação do projeto, que fica no Centro de Ciências Naturais (CCNT/Uepa).

Por Fernando Souza Filho, Atualizado: 5/3/2010 11:46